Divagações sem fim esperando por respostas.
Uma busca sem rumo por certezas improváveis:
Dores, cores, amores, rancores.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

explicação pro que eu sentia


No universo de relacionamentos amorosos, de acordo com pesquisas científicas, existem três tipos de pessoas: as namoráveis, as inenámoraveis e as que não se preocupam com isso.
Os namoráveis, tanto homens quanto mulheres, são seres que nasceram para namorar, casar, para juntar os trapos e as escovas de dentes. (Expressões que fazem mal aos ouvidos dos inenamoráveis tanto quanto comer algo que não lhes apetece. Ok, talvez um pouco menos).
As meninas namoráveis sonham primeiro com o dia do casamento e depois com o Loft que comprarão com os 120 primeiros salários. Os meninos sonham com tudo que conseguirão fazer quando unirem seus bens com os da amada. Mas o sonho sempre envolve uma "outra pessoa", ao contrário das crianças inenamoráveis que sozinhas ou na presença de um amigo imaginário, sonham em dar voltas ao mundo, terem milhões de amigos influentes e serem convidados ao Oscar. Meninas namoráveis brincam de Barbie e tem o boneco do He-man como namorado. Meninas inenamoráveis fazem roupas de Barbie e vendem para comprar um Ken.
Quando crescem, dependendo da turma de amigos com que andam, crianças a princípio namoráveis podem adquirir características inenamoráveis para desespero de suas mães que sonham em ver as filhas entrando na igreja vestidas de branco e com netos correndo pela casa.
O mesmo pode ocorrer com adultos namoráveis que se tornam tão inenamoráveis a ponto de nunca mais conseguirem dividir camas, contas, pizzas e planos. Isto geralmente acontece depois de uma sequência de desilusões amorosas quando o namorável decide então acatar o lado egoísta do inenamorável e viver só para ele e suas vontades.
Os inenamoráveis sofrem preconceito da sociedade uma vez que o marketing do mundo capitalista oferece somente vantagens àqueles que possuem uma tampa/metade/alma gêmea. De pacotes turísticos e descontos em restaurantes até celulares e escovas de dente(elas de novo) leve 2 pague 1, as vantagens só são válidas se você = você + um.
Além disso, sair do armário e se assumir um inenamorável choca. Você pode esperar sensibilizações ou horror ao assumir que para você o normal é ir ao cinema sozinho, responder a RSVPs de casamento que não vai levar acompanhante, almoçar sozinho de frente para o mar e comprar arroz de pacotinho pequeno porque o grande, vai dar caruncho. Inenamoráveis não "estão" solteiros, "são" solteiros.
Já para os namoráveis de plantão não há nada mais estranho do que passar meses ou anos sem apresentar um pretendente para a família. Não existe tempo mais triste que o "entre-namoros", o passar um dia dos namorados sozinho, o sair para dançar e paquerar, o não-ter-que-dar-satisfação e por isso, pulam de namoro em namoro para que este período de seca não dure.
Inenamoráveis moram sozinhos, dormem sozinhos, acordam sozinhos, tem melhores amigos também inenamoráveis, e até encontrarem um ser Namorável (ou um pseudo-Inenamorável) que lhes chame a atenção e baguncem toda sua rotina, acreditam que esta é a melhor vida que poderiam ter. Pesquisas comprovam que inenamoráveis quando se apaixonam assumem grandes chances de adquirirem alguns (mas não todos) dos hábitos que anteriormente eram considerados "caretas", "frescura" ou "aff, eu? nunca".
Enquanto isso, em um nível superior de evolução livre de influências passionais, os indivíduos do terceiro tipo estão ocupados com os milhões de livros que têm que ler em diversas línguas para se tornarem Phds antes dos 30 anos de idade.

(para a Ludmila que com muitas garrafas de Heineken, me ajudou a desvendar mais esse mistério)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

txt emprestado

Felicidade é uma palavra grande.

"Felicidade:
1. invólucro onde se guardam sorrisos;
2. momento em que os ponteiros do relógio decidem dançar valsa;
3. líquido viscoso que escorrega por entre os dedos;
4. pedaço de gente com cheiro de talco;
5. movimento espontâneo dos cantos da boca em direção às orelhas;
6. sobrenome do azul;
7. olodum dentro do peito;
8. conjunto de círculos concêntricos em rubro e branco para onde se atiram dardos em forma de coração;
9. roçar de pés por sob o cobertor em noites com temperatura inferior a 18 graus;
10. tia-avó da alegria;
11. erva da qual se faz um chá afrodisíaco;
12. movimento elíptico do Sol em torno do ser amado;
13. nome dado à gota salgada que despenca dos olhos em dia de festa;
14. sensação de se ter feito o que se deveria ter feito;
15. oitava cor do arco-íris;
16. retângulo onde se inserem flagrantes registrados em nitrato de prata;
17. desejo súbito de voar;
18. distúrbio psicológico que causa avalanche de gargalhadas;
19. silêncio que se segue à trovoada;
20. exibição permanente da arcada dentária sem motivos justificados aos olhos dos desprovidos de inocência. (Ex.: “Vem, amor, me dá um beijo e me arranha as costas, que hoje eu quero sentir o gosto da felicidade.”

- André Gonçalves in “Coisas de Amor Largadas na Noite”, que eu baixei em pdf e encontrei esta noite quase sem querer enquanto organizava os meus pensamentos.doc

a cup of tea, please


If time could only pass me by when I wanted it to.
I would say not now, not today.
If I could rewind time whenever I wanted to.
I would say please do, please let me go back to you.
If words could only be said when they were meant to be said.
I would say I miss you more.
If words were not more than just words.
And time would not leave us behind.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

pa-ra-le-le-pí-pe-do


Sabe criança quando sai de casa a primeira vez? Que olha pras árvores, pras flores, olha pro céu e se inclina pra trás com tanta força que dá tontura?
E quando aprende a ler, sai lendo tudo como se fossem as palavras mais interessantes do mundo?
Sabe quando ela aprende a andar, depois a correr? Quer fazer tudo correndo como se fosse assim o natural. Correndo você vê uma porção de coisas novas em menos tempo.
Sem se preocupar se um passo está atrás do outro e se é nele mesmo que você vai tropeçar.
Criança anda na sua própria órbita. Segue seus próprios "eu quero" e descobre um novo em tudo que pra gente não brilha mais.
Ou não brilha só porque a gente não quer.

(Quando aprendi a ler o X, me divertia muito bem sozinha com as possíveis variações de leitura do nome do posto da esquina, Texaco.)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

13:37


Vou me contratar um chefe. Ou vou chamar meu pai para morar comigo.
Talvez um general funcionasse melhor. Para por ordem nessa bagunça de vida com a unha do pé pintada de vermelho, os textos por ler e as músicas. Todas as músicas que levam o pouco de concentração que me resta para dois ou três quarteirões longe daqui. Talvez um pouco mais.
Acho que o que está pronto não me atrai tanto quanto o que está por vir.
Eu já sei que esse texto é mais longo que o anterior. Que existe nele um realismo exacerbado com uma pitadinha de filme de terror. Que não existem mocinhos e mocinhas e nem vai existir um beijo no final. Aí eu não me concentro.
O senhor general deveria me acordar as 7 da manhã com água fria no rosto e uma caneca de café para despertar e trazer de volta a concentração que está lá na esquina.
Eu prometo, vou desligar o som. Vou desligar todas as seleções de músicas que me lembram de histórias muito mais interessantes que as suas, Henry James.
Vou pegar as páginas não lidas, chefe. Vou ler tudo. Parágrafo por parágrafo deste seu realismo irreal que não me agrada. Paciência.
Pai, você devia ter me deixado simplesmente pintar as unhas do pé de qualquer cor. Guardar meus sonhos apenas numa caixinha de bombom.

losing game



Mesmo que o para sempre significasse enquanto durasse o frio.
A última vez que ele partiu, ela sentiu sua falta cinco minutos depois da porta bater. Rolou na cama fria e encontrou seu cheiro no travesseiro vizinho.
Eles não eram bons com palavras. Discípulos do não-dito e não do dito.
Já que a vida não se mostra fácil para aqueles que amam demais. Por que não tentar então a dose de menos? Um pé atrás mesmo que com vontade de planejar uma vida inteira pela frente. Zelando pelo bem do coração.
Ela não disse que o queria para sempre, nem o chamou de "meu bem".
Ele não comprou as flores que queria, não preparou o jantar que podia.
A campainha de vento se despede dos ventos que enfraquecem com o chegar da primavera. E a cidade se enche de cerejeiras brancas e rosas, como se um pedacinho de lá nascesse também aqui.
Os dias são longos, as noites e os sonhos curtos e os pensamentos fixos demais.
Ele tinha cheiro de alguma coisa que ela não sabe decifrar. Cheiro de inverno.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

blocked



Geralmente a inspiração aparece em momentos de crise.
É tanto tentando entrar em sintonia que é melhor olhar tudo no papel para que fique mais claro. Para que possa ser manuseado, reorganizado.
Analisado novamente. Ou não.
Ou o passado deixado para trás.
O risco que se corre é de eternizar neuras passageiras ou super expor dramas íntimos ou ainda de fazer do coração algo quase banal.
Mas quem sabe banalizar não seja apenas uma nova maneira de sarar? Diminuir a culpa, tirar o peso, trivializar.
Trivial digno tanto de piada quanto de poesia.
Da dor nascer sorriso se do sorriso nascer flor.

"mas pra fazer um samba com beleza,
é preciso um bocado de tristeza,
senão, não se faz um samba, não"
Vinicius, o belo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

I always cry at endings


O casamento de Rachel.
Sempre depois dos meus tediosos dias de trabalho na firma eu me permito fazer algo que me agrade. Como um mimo por ter aguentado mais aquele dia. Recruto algum amigo bom de papo e dou boas gargalhadas.
É um tédio porque eu me sinto burra. Mas meu pai me disse que não posso me sentir assim. Ele me rebateu com a pergunta:
Você acha seu pai burro por ter trabalhado vinte e tantos anos no banco?
Não.
Mas pessoas têm ambições diferentes. A minha simplesmente não é ter um bom salário e guardar todo o meu dinheiro para um futuro tranquilo. Meu lance é aqui com o presente.
E não quero passar por este me sentindo burra. Ou só mais uma. Ou simplesmente fazendo algo que eu-não-gosto!
Mas tirar a bunda da cadeira e dar a cara a tapa deviam ser sinônimos.
E foi depois do meu primeiro tapa, depois de um não para aquele que seria um emprego menos tedioso, que me permiti mais um mimo. Menina mimada, não é?
E dessa vez eu fui só.
Fui só porque nenhum conforto hoje seria suficiente. E ninguém melhor do que minhas neuras para entender porque me doeu tanto.
Doeu porque são etapas que devem ser conquistadas: deixar de ser covarde e lutar por algo que te faça realmente feliz e depois REALMENTE deixar de ser covarde e sair por aí à mercê de nãos (e quem sabe sins) que possam mudar sua vida.
E tudo dói.
Meu conforto hoje foi a minha solidão numa sala de cinema vendo aquele filme ali.
Meu conforto foi deixar a mesma sala de cinema chorando. Mas não(somente) porque me decepcionei, porque não consegui o sim que tanto queria para que a vida fosse menos banal. E não teria sido.
Eu saí chorando pelo final do filme. Porque chorar eu choro mesmo. Não foi a primeira e não será a última vez.

Vale a pena:
Sinopse: A festa de casamento de Rachel tem tudo para ser perfeita. Amigos e familiares reunidos numa bela cidade de Connecticut, num fim de semana repleto de comida, música e carinho. Mas quando Kim, a irmã mais nova de Rachel, chega após um longo período numa clínica de reabilitação, todos se preocupam. Com seu histórico de crises e conflitos familiares, Kim tem o dom de provocar grandes dramas em qualquer situação. Na festa, sua postura sarcástica faz reviver antigas feridas e transforma o casamento dos sonhos num campo de batalha.

Banksy



Terça-feira, Agosto 25, 2009

Primeiro o motorista super bem-humorado do ônibus falando: As saídas de emergência estão aqui e ali, os extintores lá e acolá. É proibido fumar charuto, cigarro, cachimbo e maconha. Aponta pra mim e diz: gostou, né?
Pergunto pro policial qual o caminho para o museu. Ele ri e responde: Sobe esta rua, vire a direita e vá reto. Você vai enxergar a multidão na fila para a exposição do Banksy.
Aí ele olha para os meus pés: Ainda bem que está com sapatos confortáveis, a fila é de duas a três horas.
Ah, vá! Mentiu! Pena que ele mentiu só quando disse que All-Star é confortável.
Três horas na fila sozinha.
Falam que viajar sozinha é bom porque só você decide as furadas nas quais vai se meter. Certo. Ninguém ia querer passar três horas em pé fazendo chuva e sol e sem ter nada na barriga.
Os ingleses são assim fechados. Mas foi a felicidade de conseguir ser os últimos trinta a entrar na exposição que encheu a todos ao meu redor com um sorriso besta. Até me perguntaram porque eu estava ali sozinha.
Você está hospedada aqui em Bristol? Você é brasileira? Que férias longas, não é? E por que escolheu a Inglaterra?
Ah, por quê? Os porquês dessa viagem são inúmeros.
A exposição do Banksy valeu muito a pena a espera. O cara é fenomenal. Dá a cara a tapa e consegue, apesar de tudo que já existe, inovar.
Fiquei babando. Paguei pau. Se ele estivesse por ali até ganhava um beijo.
ahahaha

Só um comentário...



8 de setembro de 2009.

Hoje me dei conta de que nunca havia passado tanto tempo sozinha com meus botões.
Tem gente que vai para um retiro espiritual no Tibet, eu me vi sozinha perambulando pelas ruas de Londres procurando brechós.
É assim, cada um com suas terapias, com o que te faz bem. Cada um tentando alcançar a sua felicidade plena. (Se é que isso existe... bom, deixa pra lá).
Cheguei em casa e comprei minhas passagens para Barcelona. Escolher as datas, reservar hotel, mais uma viagem dentro da viagem. Não foi pra isso que eu vim pra cá?
(Deixa pra lá de novo).
Ai a amiga diz que agora sim eu vou me divertir, conhecer pessoas no albergue, encontrar meus amigos que não via há tempos.
Sem exitar eu respondi que já estou me divertindo muito e que eu sou legal pra cara***! E por mais incrível que pareça, eu ainda não consegui me sentir sozinha e acho que nem vou. Pela primeira vez na vida a minha companhia e de meus pensamentos tem sido mais que suficientes.
Resolvi escutar aquele amigo que disse que essa eu devia encarar sozinha. Nem pensei se ele estava viajando ou falando sério. Agora agradeço.
Passo horas e horas andando por essa cidade linda rindo das minhas piadas bobas, inventando histórias e pensando em milhões de finais felizes e, como boa mexicana que sou, em finais não tão felizes também.
Eu já sei que se comprar 3 cervejas pago o preço de duas e só eu e eu mesma temos que decidir se vamos ou não ficar bêbadas hoje e comemorar mais esse passo de nossa aventura juntas.
Decidimos que sim.
Me vi correndo para me arrumar e ir ao cinema com medo de me atrasar. Para encontrar alguém? Não. Para encontrar algo que me faz tão feliz.
Foi aí, me arrumando e ansiosa para ir ao cinema sozinha (arrumei o cabelo, passei maquiagem, vesti roupa nova) que eu percebi o quanto estou bem comigo mesma.
E por hora não existe coisa melhor do que reparar e comentar só as coisas que você acha interessante. Ouvir as músicas que só você gosta. Comer ou não comer, dormir ou não dormir. Tudo depende somente de você.
Acho que é mais ou menos aí que você se ama de verdade.
Pronto. Cheguei aqui. E agora, o que mais?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

google maps



Uma coisa eu confesso: vigilantes do peso e TPM não combinam.
Não deviam passar nem perto um do outro.
Não dá pra contar pontinhos quando se está totalmente atrapalhada com os sentidos, sensações e sentimentos e sabe-se que a única coisa que melhoraria o humor seria uma bela barra de chocolate.
Um Sufflair: 15 pontos.
Um Sonho de Valsa: 4 pontos.
Uma caixa de bis: 20 pontos.
Total: 39 pontos, o que estouraria em 15 o total de pontos consúmiveis no dia.
Pára tudo.
Eu nem como doce. E chocolate pra mim é remédio. Se me virem comendo, saibam que algo não está bem. Ou não está bem na minha cabeça.
Regime faz bem. Comer direitinho sem peso na consciência e com peso indo pelo ralo.
Mas não quando se está de TPM.
A vida já não vai bem e a única coisa que cairia bem te tira da sua meta e te faz ficar ainda pior.
É pra rir, na verdade. Mas quando se está nestes dias. Destorço tudo e então choro.
Mas hoje não foi assim. Eu não entristeci. Eu fiquei faminta.
Do caminho do trabalho pra casa tudo que consegui pensar foi em comida. Também pudera!
Olha a tentação que é o meu caminho:
Google Maps profissional: Vá reto até a Santa Marcelina, coma uma coxinha de camarão. Vire à direita e vá até o Mc. Donalds - Big Mac! Passe pelo ChicoHamburguer - X-salada tártaro. Vire à direita no Rancho da Empada - uma de abóbora com carne seca e outra de escarola com muita pimenta. Passe pelo outro Mc Donald´s - hmmm, nuggets! Vire à direita depois do Habib´s - hmmm... prato verão.
Tudo parece delicioso e você se sente a Dona Redonda salivando.
Eu só posso estar mesmo descontrolada para escrever um post desses.
E viva o descontrole emocional causado pela TPM!
Viva!!!
Pelo menos dessa vez não quis matar ninguém. Só um cardápio inteiro do Subway, na terceira esquina, à direita.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

blas


Eu não quebro mais tanto a cara.
Mas é só porque agora eu sei (bem mais ou menos) o que posso ou não esperar.
Quero novas surpresas.
Recheadas de novas loucuras.
Voltar a quebrar minha cara, minhas pernas. Me descabelar.
Partir meu coração e todos os copos da prateleira ao ver um outro você partir.

a vida começa aos 30


Engana-se quem pensa que estamos velhas aos 30 anos.
Eu só me senti plena de verdade prestes a completar os meus 30. Quando me amei de verdade, eu fiquei leve.
Com 30 a gente não pensa demais antes de fazer e dorme com o arrependimento sufocado no travesseiro, a gente faz. Nem que seja para se arrepender de ter feito. Aos 30 temos iniciativa por não termos mais os 20 e a vida inteira pela frente. Mesmo tendo toda uma vida pela frente.
Você gosta do que vê no espelho. Li por aí que a mulher alcança o auge da sua beleza aos 31 anos. E de verdade, acho que é mais pelo que ela se transformou por dentro do que pelo que é por fora. Aos 30 você desencana. Você aceita que não tem aquela bunda gostosa, mas que pode andar de biquini pra lá e prá cá esquecendo do shorts.
Com 30 eu sinto o vento bater no meu rosto e não o vento despentear meu cabelo.
Eu passo os dias na cozinha com minha mãe e rio disso. Passo as noites na TV com meu pai e me divirto. Aos 30 você dá mais valor aos seus, menos aos dos outros.
Os amigos especiais se tornam eternos, outros você nunca mais vê. O que importa é qualidade. Nem que sejam só uns dois ou três, mas que te façam bem.
Aos 30 você entende que as noites também são feitas para se dormir e não se culpa por não estar presente em todas as festas. Você desliga o telefone sem culpa e aprende a dizer não. Você se cobra menos, muito menos. Pára de carregar o mundo nas costas.
Aliás, dizer "não" querendo realmente dizer "não" e "sim" querendo dizer "sim" é uma das melhores coisas de quando a gente cresce. Para que fingir que se quer o que não se quer? Para que tanto tempo em admitir o que se ama?
Aos 30 o mundo lá fora se separa do que se passa aqui dentro e a gente consegue simplesmente ser o que a gente sempre quis. Sem falsas expectativas, sem falsas projeções, sem nos espelharmos em ninguém mais além de nós mesmas.
Muitos vivas a maturidade!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

o porquê do estagiário

Hoje não sei porque lembrei do texto que ganhei da amiga em 2005.
Bonitinho e despretensioso.

"Ele não gosta de cinema europeu. Não sabe o que é crème brulée, De La Guarda e nunca ouviu falar no filme "O filho da noiva".
Ele é estagiário, tem um carro cheio de apetrechos esportivos, acha Frank Sinatra um velho aí, faz questão absoluta de pagar meu almoço com ticket e, sempre que eu elogio uma roupa, um acessório ou um perfume, responde sem pudor: "Foi minha mãe que me deu."
De cada cinco palavras, uma é “irado”, outra é "bagulho" e as outras três podem ser intercaladas com "tipo assim" ou "se pá". Se essa descrição me fosse feita há alguns meses, eu, que sempre defendi romances com experientes e articulados homens mais velhos, certamente riria e ignoraria tal existência, nem cogitando uma aproximação. Mas o que seria da vida se o mundo não nos pregasse essas surpresas? Se o mundo não desmentisse nossas verdades absolutas? O mundo é divertido. E por falar em diversão, tenho andado de volta aos meus quinze anos. Sempre defendi, eu e minhas verdades irrefutáveis, que os homens mais velhos e blá, blá, blá, eram os melhores na arte do acasalamento. Pois muito bem, fique com eles então, porque eu ando satisfeita demais para lembrar que eles existem.
Imaginem a minha felicidade ao ver um casal na mesa ao lado, discutindo incansavelmente a relação a dois, enquanto eu e meu menino discutíamos entre batata frita com catchup e batata frita com mostarda? Sendo que eu preferia a segunda opção e ele a primeira. Esse era o nosso conflito.
No fim acabamos misturando tudo porque, enquanto o mundo adulto pensa, a gente beija, um milhão de beijos para esquecer o mundo.
Ele tem um sorriso sem marcas, de uma doçura sem mágoas. Ele é limpo de dores do mundo. E ainda que isso torne a sua alegria um pouco sem profundidade, faz com que a superfície brilhe tanto que nada mais importe.
Ele anda o dia inteiro pra cá e pra lá, resolvendo seus problemas de estagiário com seu cabelo tigelinha, sua falta de pelos e o rosto mais lindo do mundo. E eu vou junto. O dia inteiro para lá e para cá, o dia inteiro pra frente e para trás enquanto ele vai, o dia inteiro disfarçando enquanto ele vem. O dia inteiro desejando que ele apareça para me dar vida, e que ele desapareça para me dar ar.
Você esqueceria qualquer gíria se prestasse atenção na boca carnuda, dura e bem desenhada que as pronuncia. Você esqueceria qualquer "não sei" se prestasse atenção em tudo que suas mãos, pernas e línguas sabem.
Você esqueceria qualquer colo maduro se prestasse atenção a quantas horas está naquele colo que nunca cansa, que nunca pára, que é tão jovem, macio e forte. Você esqueceria qualquer acalanto intelectual se tivesse suas costas e seus cabelos acariciados por horas, por mãos leves, por intenções leves, por momentos silenciosos jamais despertados por celulares, obrigações e cobranças da vida adulta.
Quando a voz dele, que ainda não é grossa, que ainda não é firme, sussurra para mim tudo o que eu preciso ouvir para me sentir de novo com o meu corpo de dezoito anos, eu sei que aquela é a voz que minha alma precisava. Quando ele sorri desarmado, limitado e impotente, para todas as minhas dúvidas, inconstâncias e chatices, eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisava.
Ele não faz muito pela minha angústia existencial, até por não saber. E consegue tudo de mim. Consegue até o que ninguém nunca conseguiu: me deixar leve.
Sabe rir mole de bobeira? Sabe dançar idiota de alegria? Sabe dormir gemendo de saudade? Sabe tomar banho sorrindo para a sua pele? Sabe cantar bem alto para o mundo entender? Sabe se achar bonita mesmo de pijama e olheiras? Sabe ter ânsia de vômito segundos antes de vê-lo e ter fome de mundo segundos depois de abraçá-lo? Sabe não agüentar? Sabe sobrevoar o frio, o cinza, os medos, os erros e tudo que pode dar errado? Ele consegue fazer com que eu me perdoe por apenas viver sem questionar tanto.
Eu quero parar com tudo isso, ele é um menino que não pode acompanhar minha louca linha de raciocínio meio poeta, meio neurótica, meio madura. Eu quero colocar um fim neste tormento de desejar tanto quem ainda tem tanto para desejar por aí. E aí eu me pergunto: pra quê? Se está tão bom, se é tão simples. Ele me ensinou que a vida pode ser simples, e tão boa.
É isso, sei que vocês vêm aqui para ler neuroses, mas estou de férias delas. Umas férias, tipo assim, se pá, iradas."

(de autoria desconhecida)

terça-feira, 29 de junho de 2010

re-inventar

Chega uma hora que a gente tem que virar o disco.
Como eu não sou adepta a novas tecnologias, o máximo de modernidade de termos que posso usar aqui é dizer que devemos comprar um CD novo. Aquele lançamento, novinho-novinho. Ou um DVD da nova temporada.
Se a gente demora tempo demais pensando em alguma coisa, ou vivendo algum momento ele não vai embora. Parece que se materializa e fica ali, eternamente presente.
Aquele cara que ficou do teu lado cinco anos, com quem você realizou tantos sonhos e construiu outros mil planos. Ele não está mais neste seu disco. Na verdade ele já deve estar no quinto ou sexto enquanto você vive o primeiro, riscado que só.
Contar e rir da mesma história toda vez que você senta na mesma mesa de bar com as amigas pode ser engraçado, a história pode até valer a pena. Mas não fica a sensação de que o novo não está acontecendo?
A moda já mudou. Mas você teima em usar aquela mesma bota vinho porque se lembra daquela viagem àquele lugar especial quando você tinha 18 anos. Medo de crescer? Existem lindas botas novas no mercado prontas para serem usadas em também novas caminhadas.
A tristeza bateu pelo mesmo motivo as mesmas 10 horas da manhã do domingo. Você pode então não ligar para a amiga que te ouviu choramingar a vida toda, mas para uma nova amiga. A mais antiga não se sentirá trocada. Agradecerá.
Não dá para viver a mesma vida a vida inteira. E isso não quer dizer que você não possa amar uma única pessoa ou morar numa mesma cidade. É que se você não se cuida, acaba vendo tantas vezes o mesmo filme que ele enjôa.
Enjôa do conselho da amiga, do amor do amor, do caminho que faz para ir para o trabalho.
Dá para ir trabalhar cada dia por um lugar, mesmo que mudando um ou outro quarteirão. Só para não ter que ver o mesmo carro verde parado na mesma rua ou a mesma senhora no ponto de ônibus com cara de "eu odeio a minha vida".
Fazer a mesma coisa sempre me deixa com a sensação de estar parada no tempo, no espaço. De ter me rendido à mesmice da vida, mesmo com tanta vida para ver e viver.
Chico Science já dizia: " um passo a frente e você já não está mais no mesmo lugar".
Um passinho.

(essa é para a Livia, que ficou me enchendo para eu postar algo novo, de novo)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

obrigada pela atenção dispensada

Desculpem -me! Eu sei que vocês pensam que estão fazendo um ENORME favor, mas (REPETINDO)eu não quero ser apresentada ao seu primo, ao seu chefe, ao melhor amigo do seu namorado.
Não me importa se ele é engenheiro, escritor, fotógrafo, anda de skate. Nem se ele tem casa na praia, no campo em Buenos Aires. Se ele tem um jipe, uma moto, uma bicicleta. Se é vegetariano ou faz um belo bife a parmegiana- e eu amo bife a parmegiana.
Se ele faz o meu tipo. E quem foi que disse que você sabe que tipo faz o meu tipo?
Não é porque ele gosta de Rock n roll, toma cerveja no balcão do bar e adora discussões sem pé nem cabeça sobre filmes que nem ele viu que ele fará meu tipo.
O fato é que quando eu me apaixonar por alguém, eu quero que o mérito seja só meu. Ou pelo menos uma culpa dividida igualmente entre as duas pessoas envolvidas.
Lembrando que não quero desmerecer as propostas indecentes de vocês. INDECENTES SIM, como não?
Não tem nada mais indecente do que colocar duas pessoas numa cilada dessas.
Qual é a chance de um Blind Date dar certo?
Não faço a mínima idéia, mas acredito que deva ser menos de 5% SE levarmos em consideração apenas aquelas pessoas que realmente se apaixonaram pelos indíviduos apresentados. Aquele amor a primeira vista quando ele fala que torce pelo Corinthians e você responde que torce pelo Santos mas seu pai é Corinthiano. (Nesta hora o que realmente importou foi a covinha que apareceu no canto esquerdo quando ele te fez a pergunta).
Voltando à pesquisa. Acredito que se estendermos àquelas que se encantaram mais com o apartamento de frente para o mar que pelo sorriso bobo do moço acho que podemos alcançar os 30%. Será?
Será que o romantismo acabou? E levou com ele todos os príncipes encantados de camisa xadrez que perambulavam pelos balcões de bar por aí depois de assistirem filmes que nunca vão entender?
Eu também não sei.
Eu só sei que acredito em fadas, em duendes, em coincidências, em destino, em milagres. Em Papai Noel e coelhinho da páscoa.
Acredito até em político!
Como eu vou deixar de acreditar que posso ouvir sininhos numa manhã de domingo quando for ao supermercado comprar creme de leite?
(Primeiro preciso começar a acordar de manhã aos domingos...)

fazendo a barra da saia

Medo eu tenho quando a única pessoa que me passou segurança a vida toda sente medo.
Mãe não pode ter medo, mãe tem que ser forte, mãe não pode chorar, nem ter TPM, nem pegar gripe, nem ter preguiça de fazer lasanha quando você vai almoçar em casa.
Mãe é seu porto seguro. A barra da saia da sua mãe é a beira da piscina que você segura para não afundar.
Mas você vai crescendo e quando vê, aquela de quem você precisava tanto, agora precisa mais de você. Quando ela te liga e diz:- Estou nervosa, fui ao médico e ele me disse que vou ter que operar.
Você não é mãe, nem nunca foi e está longe de saber se pretende ser. Mas você queria pegar o primeiro avião e estar ali abraçada nela, como ela fez quando você foi internada com asma aos 6 anos de idade.
Ou quando ela chega e pergunta se está gorda. Se está feia, se o corte de cabelo caiu bem ou não, se a bolsa está muito grande porque ela é muito baixa.
Você se pergunta:- E agora? Eu sou filha? Sou amiga? Sou irmã? Falo a verdade e somente a verdade? Será que vou magoar? Será que ela vai ficar triste?
Quando a gente cresce deixa um pouco de ser só filha e a mãe deixa de ser só mãe. Acho que fica tudo misturado. A gente aprende que aquela figura durona tem sentimentos. Que é mulher como a gente é e que deve ter passado (passou) parte da vida chorando no banheiro só para manter a fama de má.
Quando ela sofre pelos cantos e você diz para ela parar de pensar só nele, que nunca viu uma paixão durar assim tanto tempo por um cara que nem é tudo isso. Que ela tem que sair mais, pensar mais nela, se arrumar, se cuidar, comprar uma roupa que a deixe bem bonita. Que ele não a merece.
Tudo bem que ele é seu pai. Mas nessa altura do campeonato, ele é apenas mais um cara que deu o fora na sua grande amiga. E não é porque é mãe que não merece a mesma atenção da amiga. A gente tem mania de dar mais atenção ao que está da porta pra fora. Às vezes a gente dá mais valor à grama do vizinho.
Mas é que mãe às vezes é uma coisa chata. Puxa a orelha e briga quando acha o diário aos 18 anos. Imagina se ler o blog. Faz chantagem emocional. Te deixa culpada.
Mas por outro lado, todo mundo tem aquela amiga careta de quem você esconde certas coisas desde que eram adolescentes. E aquela amiga nerd de quem você foge para não dizer que não conseguiu entregar o TCC a tempo.
Mas sempre dá pra dar um jeitinho de pôr todo mundo no colo. Porque se está tudo misturado agora, e se em coração de mãe sempre cabe mais um, no de filha também, não é?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

I love Lucy



Mas se não dá pra fugir pra longe a gente foge pra perto mesmo e vai aceitando a realidade bit by bit...
E pouco a pouco também volta a acreditar que o limite está onde você quer que ele esteja...
E que se as coisas acontecem, acontecem porque você deixa que o destino siga aquele caminho...
Ou porque ele é mais forte que você e suas escolhas.
Mas aí você não tem escolha mesmo!
Se para viver melhor é preciso sumir.
E se pra você a fuga não é covardia e sim remédio.
Be gone for a while e se refaça.
But don't be gone forever porque a vida passa...
E se de longe a vista é linda, bem melhor é fazer parte do cartão postal.


...PICTURE YOURSELF IN A BOAT ON A RIVER
WITH TANGERINE TREES AND MARMALADE SKIES
SOMEBODY CALLS YOU, YOU ANSWER QUITE SLOWLY
A GIRL WITH KALEIDOSCOPE EYES

CELLOPHANE FLOWERS OF YELLOW AND GREEN
TOWERING OVER YOUR HEAD
LOOK FOR THE GIRL WITH THE SUN IN HER EYES...
...AND SHE´S GONE!!!

Ainda

Eu já sei que a saudade passa e a dor vai embora com ela.
O triste é saber que o esforço é tão grande para que essas dores passem que quando elas se vão, se arrastam levando todos os momentos...
Do acordar suspirando de saudade ao dormir abraçado de vontade.
É então que páro e penso que nem tudo é ruim quando se sofre.
Tudo ainda está vivo e claro. Suspira-se.
O ruim mesmo é quando num vazio não se tem porque sofrer.
*
Ainda.

domingo, 30 de maio de 2010

saudades deles

(de setembro de 2006)

PESO NA CONSCIÊNCIA:
Não consigo me lembrar da última vez que fui pra casa do meu pai.
Me lembro da última vez que tinha que ir e não fui: Dia dos Pais.
Mas ele achou melhor eu ficar por aqui e descansar e eu achei melhor também porque fim de semana é fim de semana e tudo pode acontecer. E aconteceu. Meu "amoreco" resolveu reaparecer e fazer uma visita.
Uma daquelas visitas com cupido presente onde basta um beijo para você se apaixonar... Ai, ai.
E suspirar por mais algumas semanas, adiando a visita à papai e esperando uma reaparição dele.
DE VOLTA A REALIDADE:
Ok, neste caso seria mais fácil um contato imediato de terceiro grau com um ET fofinho de outra dimensão.
SONHO:
Aí passou um fim de semana, passou outro e agora a saudade bateu.
REALIDADE:
Então agora vou eu pra casa, ver quem realmente se importa pelo que eu sou, pelo que eu não sou, pelo que não fui. Aceita todos os meus defeitos e não repara em minhas qualidades, nem nas mudanças no meu cabelo. Não sabe se estou mais gorda ou mais magra mas me diz sempre que estou branca demais e que preciso me alimentar direito e dormir mais. Me liga o dia todo, manda mensagem quando eu não espero. Me espera de madrugada, me compra presentes.
Sente minha falta, pede minha presença, vem me ver. Me leva pra jantar, me dá conselhos profissionais que eu nunca vou ouvir. Me trata como se eu fosse uma bocó e tenta resolver todos os meus problemas. Me lembra de pagar as contas. Reclama do meu saldo negativo. Faz meu imposto de renda. Me dá colo.
Então dessa vez eu vou vê-lo.
E se o outro resolver aparecer?
ALUCINAÇÂO:
Com aquela cara que eu adoro, aquela voz que me desmonta. Falando de coisas que a gente viveu separado, viveu junto. Uma música, uma época, uma cidade.
Dividindo viajens, beijos, cigarros e gargalhadas.
Abrindo uma, duas , três cervejas.
Estando tão presente por horas e completamente ausente por tantas outras que começam no adeus e terminam ou não terminam.
Este que não sabe o dia do meu aniversário, não me vê pra saber que cor é ou tem sido meu cabelo, se gosto ou não de pimenta, se choro quando vejo e se vejo novela.
REALIDADE:
E enquanto isso, eu saio tropeçando pra ver quem fez meu celular apitar e me deparo com um: "Liga em casa, beijos do pai".
Que não me enche de esperanças bobas mas que não deixa de ser no mínimo, fofo.

(engraçado como algumas coisas se repetem: a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores o mesmo jardim. Hoje meu pai me ligou. E hoje deve ter sido o pior dia deste ano. Chuva, frio, nada na geladeira, solidão, carência, blá. E ele me liga para dizer que a casa que acabou de comprar na praia está pronta, e que espera todo mundo lá nas férias de julho: vamos ver se aproveitamos mais essa coisa boa da vida, não é?
É pai, é bem por aí! )