Divagações sem fim esperando por respostas.
Uma busca sem rumo por certezas improváveis:
Dores, cores, amores, rancores.

terça-feira, 29 de junho de 2010

re-inventar

Chega uma hora que a gente tem que virar o disco.
Como eu não sou adepta a novas tecnologias, o máximo de modernidade de termos que posso usar aqui é dizer que devemos comprar um CD novo. Aquele lançamento, novinho-novinho. Ou um DVD da nova temporada.
Se a gente demora tempo demais pensando em alguma coisa, ou vivendo algum momento ele não vai embora. Parece que se materializa e fica ali, eternamente presente.
Aquele cara que ficou do teu lado cinco anos, com quem você realizou tantos sonhos e construiu outros mil planos. Ele não está mais neste seu disco. Na verdade ele já deve estar no quinto ou sexto enquanto você vive o primeiro, riscado que só.
Contar e rir da mesma história toda vez que você senta na mesma mesa de bar com as amigas pode ser engraçado, a história pode até valer a pena. Mas não fica a sensação de que o novo não está acontecendo?
A moda já mudou. Mas você teima em usar aquela mesma bota vinho porque se lembra daquela viagem àquele lugar especial quando você tinha 18 anos. Medo de crescer? Existem lindas botas novas no mercado prontas para serem usadas em também novas caminhadas.
A tristeza bateu pelo mesmo motivo as mesmas 10 horas da manhã do domingo. Você pode então não ligar para a amiga que te ouviu choramingar a vida toda, mas para uma nova amiga. A mais antiga não se sentirá trocada. Agradecerá.
Não dá para viver a mesma vida a vida inteira. E isso não quer dizer que você não possa amar uma única pessoa ou morar numa mesma cidade. É que se você não se cuida, acaba vendo tantas vezes o mesmo filme que ele enjôa.
Enjôa do conselho da amiga, do amor do amor, do caminho que faz para ir para o trabalho.
Dá para ir trabalhar cada dia por um lugar, mesmo que mudando um ou outro quarteirão. Só para não ter que ver o mesmo carro verde parado na mesma rua ou a mesma senhora no ponto de ônibus com cara de "eu odeio a minha vida".
Fazer a mesma coisa sempre me deixa com a sensação de estar parada no tempo, no espaço. De ter me rendido à mesmice da vida, mesmo com tanta vida para ver e viver.
Chico Science já dizia: " um passo a frente e você já não está mais no mesmo lugar".
Um passinho.

(essa é para a Livia, que ficou me enchendo para eu postar algo novo, de novo)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

obrigada pela atenção dispensada

Desculpem -me! Eu sei que vocês pensam que estão fazendo um ENORME favor, mas (REPETINDO)eu não quero ser apresentada ao seu primo, ao seu chefe, ao melhor amigo do seu namorado.
Não me importa se ele é engenheiro, escritor, fotógrafo, anda de skate. Nem se ele tem casa na praia, no campo em Buenos Aires. Se ele tem um jipe, uma moto, uma bicicleta. Se é vegetariano ou faz um belo bife a parmegiana- e eu amo bife a parmegiana.
Se ele faz o meu tipo. E quem foi que disse que você sabe que tipo faz o meu tipo?
Não é porque ele gosta de Rock n roll, toma cerveja no balcão do bar e adora discussões sem pé nem cabeça sobre filmes que nem ele viu que ele fará meu tipo.
O fato é que quando eu me apaixonar por alguém, eu quero que o mérito seja só meu. Ou pelo menos uma culpa dividida igualmente entre as duas pessoas envolvidas.
Lembrando que não quero desmerecer as propostas indecentes de vocês. INDECENTES SIM, como não?
Não tem nada mais indecente do que colocar duas pessoas numa cilada dessas.
Qual é a chance de um Blind Date dar certo?
Não faço a mínima idéia, mas acredito que deva ser menos de 5% SE levarmos em consideração apenas aquelas pessoas que realmente se apaixonaram pelos indíviduos apresentados. Aquele amor a primeira vista quando ele fala que torce pelo Corinthians e você responde que torce pelo Santos mas seu pai é Corinthiano. (Nesta hora o que realmente importou foi a covinha que apareceu no canto esquerdo quando ele te fez a pergunta).
Voltando à pesquisa. Acredito que se estendermos àquelas que se encantaram mais com o apartamento de frente para o mar que pelo sorriso bobo do moço acho que podemos alcançar os 30%. Será?
Será que o romantismo acabou? E levou com ele todos os príncipes encantados de camisa xadrez que perambulavam pelos balcões de bar por aí depois de assistirem filmes que nunca vão entender?
Eu também não sei.
Eu só sei que acredito em fadas, em duendes, em coincidências, em destino, em milagres. Em Papai Noel e coelhinho da páscoa.
Acredito até em político!
Como eu vou deixar de acreditar que posso ouvir sininhos numa manhã de domingo quando for ao supermercado comprar creme de leite?
(Primeiro preciso começar a acordar de manhã aos domingos...)

fazendo a barra da saia

Medo eu tenho quando a única pessoa que me passou segurança a vida toda sente medo.
Mãe não pode ter medo, mãe tem que ser forte, mãe não pode chorar, nem ter TPM, nem pegar gripe, nem ter preguiça de fazer lasanha quando você vai almoçar em casa.
Mãe é seu porto seguro. A barra da saia da sua mãe é a beira da piscina que você segura para não afundar.
Mas você vai crescendo e quando vê, aquela de quem você precisava tanto, agora precisa mais de você. Quando ela te liga e diz:- Estou nervosa, fui ao médico e ele me disse que vou ter que operar.
Você não é mãe, nem nunca foi e está longe de saber se pretende ser. Mas você queria pegar o primeiro avião e estar ali abraçada nela, como ela fez quando você foi internada com asma aos 6 anos de idade.
Ou quando ela chega e pergunta se está gorda. Se está feia, se o corte de cabelo caiu bem ou não, se a bolsa está muito grande porque ela é muito baixa.
Você se pergunta:- E agora? Eu sou filha? Sou amiga? Sou irmã? Falo a verdade e somente a verdade? Será que vou magoar? Será que ela vai ficar triste?
Quando a gente cresce deixa um pouco de ser só filha e a mãe deixa de ser só mãe. Acho que fica tudo misturado. A gente aprende que aquela figura durona tem sentimentos. Que é mulher como a gente é e que deve ter passado (passou) parte da vida chorando no banheiro só para manter a fama de má.
Quando ela sofre pelos cantos e você diz para ela parar de pensar só nele, que nunca viu uma paixão durar assim tanto tempo por um cara que nem é tudo isso. Que ela tem que sair mais, pensar mais nela, se arrumar, se cuidar, comprar uma roupa que a deixe bem bonita. Que ele não a merece.
Tudo bem que ele é seu pai. Mas nessa altura do campeonato, ele é apenas mais um cara que deu o fora na sua grande amiga. E não é porque é mãe que não merece a mesma atenção da amiga. A gente tem mania de dar mais atenção ao que está da porta pra fora. Às vezes a gente dá mais valor à grama do vizinho.
Mas é que mãe às vezes é uma coisa chata. Puxa a orelha e briga quando acha o diário aos 18 anos. Imagina se ler o blog. Faz chantagem emocional. Te deixa culpada.
Mas por outro lado, todo mundo tem aquela amiga careta de quem você esconde certas coisas desde que eram adolescentes. E aquela amiga nerd de quem você foge para não dizer que não conseguiu entregar o TCC a tempo.
Mas sempre dá pra dar um jeitinho de pôr todo mundo no colo. Porque se está tudo misturado agora, e se em coração de mãe sempre cabe mais um, no de filha também, não é?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

I love Lucy



Mas se não dá pra fugir pra longe a gente foge pra perto mesmo e vai aceitando a realidade bit by bit...
E pouco a pouco também volta a acreditar que o limite está onde você quer que ele esteja...
E que se as coisas acontecem, acontecem porque você deixa que o destino siga aquele caminho...
Ou porque ele é mais forte que você e suas escolhas.
Mas aí você não tem escolha mesmo!
Se para viver melhor é preciso sumir.
E se pra você a fuga não é covardia e sim remédio.
Be gone for a while e se refaça.
But don't be gone forever porque a vida passa...
E se de longe a vista é linda, bem melhor é fazer parte do cartão postal.


...PICTURE YOURSELF IN A BOAT ON A RIVER
WITH TANGERINE TREES AND MARMALADE SKIES
SOMEBODY CALLS YOU, YOU ANSWER QUITE SLOWLY
A GIRL WITH KALEIDOSCOPE EYES

CELLOPHANE FLOWERS OF YELLOW AND GREEN
TOWERING OVER YOUR HEAD
LOOK FOR THE GIRL WITH THE SUN IN HER EYES...
...AND SHE´S GONE!!!

Ainda

Eu já sei que a saudade passa e a dor vai embora com ela.
O triste é saber que o esforço é tão grande para que essas dores passem que quando elas se vão, se arrastam levando todos os momentos...
Do acordar suspirando de saudade ao dormir abraçado de vontade.
É então que páro e penso que nem tudo é ruim quando se sofre.
Tudo ainda está vivo e claro. Suspira-se.
O ruim mesmo é quando num vazio não se tem porque sofrer.
*
Ainda.

domingo, 30 de maio de 2010

saudades deles

(de setembro de 2006)

PESO NA CONSCIÊNCIA:
Não consigo me lembrar da última vez que fui pra casa do meu pai.
Me lembro da última vez que tinha que ir e não fui: Dia dos Pais.
Mas ele achou melhor eu ficar por aqui e descansar e eu achei melhor também porque fim de semana é fim de semana e tudo pode acontecer. E aconteceu. Meu "amoreco" resolveu reaparecer e fazer uma visita.
Uma daquelas visitas com cupido presente onde basta um beijo para você se apaixonar... Ai, ai.
E suspirar por mais algumas semanas, adiando a visita à papai e esperando uma reaparição dele.
DE VOLTA A REALIDADE:
Ok, neste caso seria mais fácil um contato imediato de terceiro grau com um ET fofinho de outra dimensão.
SONHO:
Aí passou um fim de semana, passou outro e agora a saudade bateu.
REALIDADE:
Então agora vou eu pra casa, ver quem realmente se importa pelo que eu sou, pelo que eu não sou, pelo que não fui. Aceita todos os meus defeitos e não repara em minhas qualidades, nem nas mudanças no meu cabelo. Não sabe se estou mais gorda ou mais magra mas me diz sempre que estou branca demais e que preciso me alimentar direito e dormir mais. Me liga o dia todo, manda mensagem quando eu não espero. Me espera de madrugada, me compra presentes.
Sente minha falta, pede minha presença, vem me ver. Me leva pra jantar, me dá conselhos profissionais que eu nunca vou ouvir. Me trata como se eu fosse uma bocó e tenta resolver todos os meus problemas. Me lembra de pagar as contas. Reclama do meu saldo negativo. Faz meu imposto de renda. Me dá colo.
Então dessa vez eu vou vê-lo.
E se o outro resolver aparecer?
ALUCINAÇÂO:
Com aquela cara que eu adoro, aquela voz que me desmonta. Falando de coisas que a gente viveu separado, viveu junto. Uma música, uma época, uma cidade.
Dividindo viajens, beijos, cigarros e gargalhadas.
Abrindo uma, duas , três cervejas.
Estando tão presente por horas e completamente ausente por tantas outras que começam no adeus e terminam ou não terminam.
Este que não sabe o dia do meu aniversário, não me vê pra saber que cor é ou tem sido meu cabelo, se gosto ou não de pimenta, se choro quando vejo e se vejo novela.
REALIDADE:
E enquanto isso, eu saio tropeçando pra ver quem fez meu celular apitar e me deparo com um: "Liga em casa, beijos do pai".
Que não me enche de esperanças bobas mas que não deixa de ser no mínimo, fofo.

(engraçado como algumas coisas se repetem: a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores o mesmo jardim. Hoje meu pai me ligou. E hoje deve ter sido o pior dia deste ano. Chuva, frio, nada na geladeira, solidão, carência, blá. E ele me liga para dizer que a casa que acabou de comprar na praia está pronta, e que espera todo mundo lá nas férias de julho: vamos ver se aproveitamos mais essa coisa boa da vida, não é?
É pai, é bem por aí! )

Conselho de amiga

Conselho de amiga é uma coisa assim.Fofa.
Porque elas ouvem e sempre sabem o que de fato DEVERIAM dizer... Mas pensam, pensam e pensam na melhor forma de fazê-lo para que você não se sinta nem menor, nem pior.
Conselhos de amigas são 70% consolo e 30% verdade.Ao aconselhar,uma amiga pensa mais em fazer sua amiga se sentir melhor do que em achar uma solução para aquele(s) problema(s).
É por isso que é esta a função da amiga.É por isso que elas são fofas.É por isso que não podemos viver sem elas.
As verdades precisam ser ditas.Mas podem ser ouvidas em doses homeopáticas maquiadas de conselhos preocupados.Tudo bem que não dá pra fingir que vivemos em um mundo cor de rosa.
Mas se podemos fazer com que ele pareça menos cinza... Por que não?


Terça-feira, 8 de agosto de 2006.
"Bem, pelo jeito o cara é um fofo mesmo: agradável, boa companhia, bom papo, inteligente. Ai, ai, ai...
Esse lance do 'ele pode saber ou não', esquece! Pelo que você falou ele está querendo te conhecer pra ser amiga ou algo mais. Aí, você vai ter que arriscar, né? A gente nunca sabe...
Aquele cara gostoso que rendeu uma ótima noitada pode se tornar um amigo fofo... e aquele amigo irmão também pode te surpreender! (ai que vida linda, né???? Cheia de surprises!)
Você só está nessa piração gigante porque está sentindo as borboletitas... fica aí suspirando e sonhando com o cara... A gente fica com medo porque quando se apaixona perde o controle. E mulheres como a gente não sabem MESMO não estar no controle da situação.
Acho que em relação a se apaixonar e se entregar, as bobonas semi-submissas dão de 10 à zero na gente.
Eu fico completamente perdida.Meto os pés pelas mãos porque não quero que o cara desconfie de nada. E o que acontece?????? Tudo errado: fico nervosa, bebo demais, falo besteira, me declaro e bummmmmm: já era!
Ou me declaro e consigo algo.(As submissas fariam isso logo de cara, né???)
Ou não faço nada e volto pra casa com aquela sensação de “E se eu tivesse ...”
Sei lá.Acho que seria muito mais fácil se a gente tivesse um manual de instruções para usar nestes casos.
Aí, depois de uma folheada rápida pelos capítulos 1, 2 e 3 você deveria procurar o 6: “ Acabou de terminar um namoro” Será que ele não está demorando por que não quer se envolver de novo tão rápido??? Será que ele ainda está se sentindo desprezado? Será que ele está com medo de mulher???? Será que ele está curtindo a solteirisse?Será??? Será???? ahahahahahaha (gargalhadas mil)
Acho que se ele terminou agora, vai agir devagar mesmo.Deixa ele no espaço dele. Seja amiga, mas dê uns toques. Chama para uns programas mais ousados que fiquem entre o bom papo e o clima para uns bons beijos. Que lugar???? Sei lá, eu sou pééééééééssima pra isso hehehe (mais gargalhadas)
Se eu morasse sozinha, te emprestava o apê para vocês verem um filminho e depois de uma hora você lembrar que tem meia garrafa de vinho barato na geladeira. Hmm.
Mas vai com fé que sentir isso é super bom. A gente se sente viva e no final mesmo que dê tudo errado, valeu a pena! Borboletas sempre valem a pena!(e não têm preço!)"

Que saudade que eu tenho desses papos furados sentadas todas na mesa de casa. Ou de um email recebido depois do almoço quando tudo que você consegue pensar é nesse cara aí. Sempre fomos ótimas psicólogas umas das outras. Se a gente mudou, o carinho é o mesmo. À todas as minhas amigas, um beijo!

careful what you wish for

(8 de agosto, 2006)
em homenagem ao dia dos namorados =)

E tem gente que não acredita que sonhos possam se tornar realidade. E que desejos possam se tornar realidade. Pois eu lhes digo: tomem cuidado com o que pedem pra seus santos preferidos em suas datas preferidas. Cuidado ao vestir certas cores e fazer certas oferendas à certas entidades. MUITO cuidado ao apagar as velhinhas, escolher o lado certo do bolo a ser cortado. Cuidado ao vasculhar o céu procurando por estrelhas cadentes... ao invés disso, tome mais um gole do vinho e lamente por tudo aquilo que você deseja e que nunca se realiza. (É MAIS SEGURO)
O problema é que você tem que formular muito bem o seu desejo. E também desejar da maneira certa. Com a intensidade apropriada.
Por exemplo, um amigo meu, na sua festa de aniversário de 25 anos, depois de três anos de relacionamentos à distância e todos falidos, resolveu desejar uma nova namorada que morasse perto dele.
Tudo bem com o pedido. O problema foi a intensidade com que ele pediu: Eu quero muito, muito, muito, muito, muito uma namorada que more perto de mim!
Esta mensagem ao chegar na entidade desejada para que fosse analisada e então realizada, tomou proporções gigantes. Se ele arrumou uma namorada? Sua vizinha virou sua namorada e, depois de um tempo, para que o namoro sobrevissese à convivência, ele começou a busca por um novo teto.
Outra amiga, numa viagem de ano novo, caprichou no traje branco, comeu lentilhas, jogou flores pra Iemanjá e ao som dos fogos de artifício desejou encontrar um homem que a compreendese como ninguém. No outro dia na mesma praia, ela conheceu seu então namorado: aquele que a compreende como ninguém- seu psicanalista!
Uma outra amiga, na mesma data, escolheu ser abençoada com um namorado que gostasse muito de sexo. Muito, muito, muito. O que ela recebeu de Iemanjá um mês depois??? Adivinhe.
A terceira amiga(isso mesmo, as três Marias foram juntas viajar e desejar as mesmas coisas), decepcionada com seus casos amorosos que de uma hora pra outra viravam amizade desejou, de calcinha rosa, uma cara que a amasse. Muito, muito, muito. Fugiu de um louco por alguns meses.
É por isso que o nosso Santo Antônio(depois de virado de cabeça pra baixo e dentro da boca de um sapo) não foi incomodado no seu dia este ano mas recebeu um conselho: - Vê se faz direito desta vez!!!
Sem especificações. Sem nenhuma intensidade. Apenas um simples conselho.

(P.S.: as duas primeiras Marias se casaram, a terceira foge do ex-namorado até hoje)

DEJA VU

(escrito em 02 fevereiro, 2009)

Ela tem 28 e ainda não aprendeu a sambar.
Mas sabe rodopiar e cair sempre no mesmo lugar.
De uma hora pra outra a inspiração voltou.
parece que foi a virada do mês. coisa que a virada do ano não fez.
E ela abriu o vidro do carro e veio no trânsito cantando. sem se importar que chovia lá fora. Sem nem ligar pra hora.
foi a possibilidade do furacão passar que tudo isso fez. Monte de talvez.
o de um novo emprego, o quem sabe de um novo lar e a certeza de um ano unwriten pra escrever do jeitinho que bem entender.
a viagem do meio do ano começa a ser planejada assim como os olhares buscam novas bocas cheias de novas histórias. Do nada.
e mesmo que as noites acabem sempre naquele lugar.
serão refeitas com um figurino novo. Novo número de celular.
quem sabe até com um novo olhar.
E agora sabendo do que gosta e não, parece que fica mais fácil.
ou muito mais difícil de rodopiar e te encontrar.
Como se te encontrar fosse sinônimo para me deitar em paz.
onde você já jaz.

chega mais 2009.
que eu já te quero muito bem.

sábado, 1 de maio de 2010

Meu avô era mineiro

Poucas coisas nesta vida me fazem mais feliz que acordar cedo e tomar café-da-manhã na padaria.
Uma delas é lembrar do meu avô e do meu avô se lembrando de mim. Quando ele ainda conseguia me levantar, me pegar no colo, me jogar para cima assim, e assim.
Ele nos disse que era espanhol, lá da Catalunya. Mas para mim ele só podia mesmo ser mineiro. Um trenzinho bão daquele jamais nessa vida que nasceria numa terra que não fosse Minas Gerais.
Meu vô me levou na escola no meu primeiro dia de aula do pré. E foi assim até o último. Me disse que um dia tinha uma enxurrada tão grande que ele teve que me levantar lá no alto para que eu não chegasse molhada na aula.
E ele me levava para "desamarrar o burro". Era mais ou menos assim, eu ficava emburrada por qualquer coisa e ele me levava para dar uma volta, desamarrar o burro. Sentava no banco da praça e ficava me esperando pegar todas as florzinhas coloridas que depois eu queria levar pra casa. Me levava para fazer inalação todos os dias, de ônibus às duas da tarde. E ficava lá do meu lado, com as mãozinhas cruzadas para trás puxando conversa até com o botijão de oxigênio.
Ninguém sabe abraçar como o meu avô. Abraço tem que ser bem dado. Apertado, demorado, um 'uta' bem forte com tapinha nas costas e se possível uma palavrinha de motivação na orelha. Para mim era sempre "você é um orgulho para o vô" ou "ai, que bom que você está aqui!".
Meu vô comia igual passarinho e tinha rodinha nos pés. Quando a gente chegava lá ele estava sempre na padaria ou na oficina. Conversando com os compadres. Ele dizia que o melhor na vida era ter amigos e se orgulhava de ter vivido a vida toda "sem criar inimizade com ninguém"- enquanto apertava minha mão na dele.
Nem as duas filhas do dono do restaurante que ele trocou para casar com a minha avó ficaram com raiva dele. Mineiro que só.
Quando as pessoas morrem, acho que é normal que a gente páre de falar nelas por um tempo porque ainda dói. Mas não tempo o bastante para que ela seja esquecida.
Eu chorei a morte do meu avô só depois de três meses da sua partida. E só então consegui me lembrar de tudo que ele significou para mim. Até as minhas brincadeiras mais brutas eu aprendi com ele. Mas isso é só sinal de amor demais. Eu mordia ele até tirar sangue e não largava da barra da sua calça por um segundo. Ele plantava morango para eu comer no pé, fazia arroz doce e doce-de-leite de quadradinho.
Nunca vou esquecer da minha vô abraçada em mim no velório:"-É a minha vida. A minha vida foi embora." Nem dele com Alzheimer, pouco antes de morrer, quando ainda abraçava todo mundo que ia visitá-lo com um sorriso na cara: "-Olha quem está aqui!". Mesmo que não fizesse idéia se quem estava ali era o dono do restaurante que ele trabalhava quando era moço, eu, a minha vó, meu pai ou qualquer uma das pessoas que ele quis tão bem durante seus quase noventa anos de vida.

terça-feira, 27 de abril de 2010

meu cobertor

O dia bateu na janela do quarto e eu acordei sentindo frio. Meio zonza ainda de tantas horas em claro e tantas músicas dançadas e tanto sei lá o que, eu procurei minha coberta na cama e me deparei com você. Um sustinho bom de quando se acorda em casa alheia no sofá da sala e se pergunta "caramba, onde é que eu tô?" mas que logo passa quando vem lá no fundo uma vontade imensa de sorrir. Aquele sorriso bobo de criança quando apronta. Quando eu te achei do meu lado naquela manhã foi assim. E você estava ali, embrulhadinho no meu (só meu) cobertor. Como se toda manhã você esperasse para ser acordado com um beijo meu, cheguei pertinho e te abracei. Você não se mexeu, nem se encolheu, nem suspirou mais forte. Como se ali tivesse dormido os últimos tempos. Você tinha cheiro de festa e um cabelo macio onde eu me meti enquanto tentava tomar de você um pedaço de coberta. E foi só quando minha perna encostou na sua que você se virou e sem abrir os olhos me desejou bom dia. Saiu debaixo do cobertor e o passou sobre mim, beijou meu nariz, sorriu, beijou minha boca. Tudo ao mesmo tempo enquanto você se espreguiçava. E eu senti cócegas. Ficamos ali abraçados e mudos por vários momentos. O vento batia na janela. Acho que era agosto, um sábado gelado de agosto.
Enquanto você me abraçava eu pensei que você podia não saber quem eu era nem de onde vim, assim como eu não sabia que diabos você estava fazendo ali.E eu não sentia vontade nenhuma de perguntar. Mas numa manhã de frio e chuva tudo o que você mais quer é um abraço assim e um beijo assado e uma perna quentinha enrolando na sua. Loucuras à parte, o silêncio nos tornou quase namorados e você escolheu as palavras certas para celebrar aquela manhã. Palavras que não foram ditas mas escaparam, sem significado algum. Sem ter de onde vir nem pra onde ir. Palavra de gente grande quando dorme junto morrendo de vontade. Não havia espaço para consequência, certo, errado. Só existia gostoso. E que gostoso era a gente ali dormindo acordado, abraçado, encostado. O tempo parou enquanto você tirava minha blusa e eu mordia seu ombro. Enquanto você escolhia os beijos pra me dar e eu te permitia, um a um. Era quase meio-dia mas a chuva deixou nossa manhã com cara de madrugada. Nossa tarde com cara de manhã e depois disso o que eu senti foi só meu. Igual o cobertor.

quarta-feira, 31 de março de 2010

comemorando o dia da mentira

Hoje eu senti muita saudade de você sem saber porquê.
Estava guardando o carro na garagem e começou a tocar Santeria do Sublime aí lembrei da gente lá em Cuzco naquele bar cheio de brasileiros com aquela banda boa. Tínhamos acabado de chegar de Machu Picchu e era nossa última noite de viagem.
Encontramos todos os meninos que tínhamos conhecido em diferentes partes da viagem. Rolava um double drink. Todo mundo era menor que a gente então por mais cheio que estivesse o lugar, era só erguer a cabeça pra uma ver a outra.
E eram só meninos mesmo! Não acreditavam que estávamos fazendo a viagem só as duas meninas. Claro que ficamos orgulhosas de nossa coragem. Na verdade, acho que nunca paramos pra pensar no perigo. Só quando estávamos dentro dele. Dentro do ônibus quase caindo do barranco. Dentro da mina quase morrendo de claustrofobia e quase te derrubando no buraco, sem dinheiro nem para comprar água e salvas por um americano bondoso (tenho que admitir), presas no bloqueio político em Sucre, congelando nos menos trinta graus do Salar ou andando de táxi em La Paz.
Aí ficamos perto da banda. Acho que nunca te agradeci por essa viagem. Você sabe que se não tivesse insistido e planejado tudo eu não iria. Por mais que fosse um sonho eu não tinha forças. Você deu seu ombro para eu me apoiar.
A banda tocou de tudo e aquele bando de mochileiro sacudindo sem parar. Inclusive nossos dois amigos baixinhos de Floripa, aqueles outros de São Paulo: o bonito, a irmã e o mala e o Roberto. Ah! O Roberto...
Acho que o sorriso de todo mundo tava emendado. A energia era muito boa. Energia boa de quem realizou um sonho. Sonho de hippie. E a gente ficou lá rindo, bebendo nossos pisco sauer e ouvindo o som. Que coisa mais perfeita, né? Pena que era a última noite.
Aí eu virei pra você e pensei alto: - Nossa, essa noite pede um Sublime!
Eu nem pedi para deus Inca nenhum, mas a banda começou a tocar Santeria e a gente morreu de rir. Foi só pra ficar mais mágico ainda, né? É por isso que se nada der certo, a gente vai morar em Copacabana. Lá na Bolívia. Eu, você e o Damian das calças de saco de batatas.
Parabéns pelos quatro anos de amizade, hermanita.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Papo de bar II

-Não, eu não acredito!Esse mundo é tão injusto, por que as coisas são assim?
-Ai, calma, não é de todo o mal.
-Como não? Eles se conhecem há anos e só agora eles resolvem que nasceram um para o outro?
-Nossa, como você exagera. Não é assim. Eles se viram de forma diferente dessa vez. Não é que estão desesperados e vão se casar.
-Mas justo agora que ele foi embora?
-Mais uma cerveja, por favor... é, justo agora. Mas você não acha incrível que estas coisas aconteçam? Duas pessoas que estão ali lado a lado todos os dias depois de um tempo descobrirem que podiam ser algo mais um para o outro?
-Viu, não sou só eu que sou pessimista. Você mesma disse “podiam ser” . Isso significa que não serão. Que não há chances nesse mundo para os dois.
-Ai, meu bom Deus, vamos lá fora fumar.
(La fora)
-Não acredito que só agora eles resolveram ficar.
-Não foi só agora. É que a gente nunca estava junto deles. Lembra de todas as vezes que eles saíram só os dois?
-Sério? (risos) Que demais!. Mas então por que só agora se apaixonaram??? Por que não enquanto estavam os dois na mesma cidade?
-Eu sei lá! Deve ser aquele lance do “quando pode não quer, quando não pode quer”.
-Da onde você tirou isso? Mas faz sentido. Só não faz sentido isso acontecer assim. E se essa for a última chance dos dois serem felizes? Por que essas coisas acontecem uma ou duas vezes na vida só né?
-Ai, eu sei lá. Se for pra dar certo eles dão um jeito. Ou o destino dá um jeito pra eles.
-Podia ter sido um tempo antes, tipo quando a gente viajou pra praia no Ano Novo. Assim ele teria tempo pra decidir que o melhor era continuar aqui junto dela.
-Mas até ai desde quando as coisas acontecem como e quando a gente quer?
-Ah! Pode ser também aquele lance da “pessoa certa na hora errada”?
-Meu, essa conversa já ta irritando. pra que tentar entender. Isso nem é assunto nosso.
-Então pega lá a cerveja que eu vou fumar mais um cigarro. Será que eu vou conhecer o meu príncipe quando resolver ir embora daqui?
-ah, me poupe!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sobre amores e sapos

Julho, 2008
Eu sempre vivi lindas paixões platônicas.Coisa bem de adolescente que combina bem com a síndrome de Peter Pan que estou vivendo.
Deve ser a crise dos 30.
Ou a crise das que tem quase 30 e estão solteiras?
Ou apenas se decepcionaram com todo e qualquer marmanjo que cruzou seu caminho?
Dos caras que mais gostei até hoje (tirando o pobre do meu primeiro namorado que virou meu pseudo-analista) os que mais amei foram os que nunca tive.
Parece que assim o encanto permanecia sempre o mesmo... ano após ano. Diário após diário, namorada após namorada nova dele!
Ai, como sofria.E nunca tinha coragem de dar a mínima investida.
Que bobagem não é?
Pois é... mais de uma década se passou e...
O bom de se tornar adulta é que se tem sede de viver. Então as paixões platônicas que duravam os três anos de colegial, têm prazo de validade estipulado pela minha mente semi-doentia: 3 dias e próximo.
Se em 3 dias nenhum sinal de amor platônico correspondido por ele, o lance é apagar o celular e seguir em busca do sapo da vez. Que claro, virará um belo príncipe bem-humorado que curte Rock n Roll.
O difícil é quando nos deparamos com um sapo que não pula pra dentro da lagoa e nem fica do lado de fora. Fica lá sentado, com aquela cara de sapo, boiando numa vitória-régia imensa e linda. Tão linda quanto todos os sonhos que você tem, acordada ou não, com ele.
Atitude? Não é a cara dos amantes platônicos.
E os 3 dias passam, e os 30 chegam já já. E você mais uma vez pensa que aquele poderia ser o seu alguém. Já que vocês já provaram que são Bonnie e Clyde, que ficariam dormindo enquanto a turma vai pra praia, que passariam o dia falando bobagem e vendo filme bobo na tevê... que a sua companhia o agrada e a dele te faz tão bem.
E se a deadline dos 3 dias fica muito lá atrás, você perde o raciocínio, perde a noção da hora, do teor alcóolico, do valor da comanda, do volume da voz e tem vontade de gritar!
E ai você pode estar confundindo tudo, trocando as bolas, achando que qualquer carinho e atenção é interesse. Que qualquer elogio é um quase "eu te amo", que uma ligação no meio da noite significa "não consigo dormir pois estou pensando em você".
Foi nessas que descobri que paixonite platônica aguda pode enlouquecer uma mulher de qualquer idade e qualquer maturidade.
E você faz o que se está mais perdida que cego em tiroteio?
Espera o cara te emprestar os óculos ,enxerga bem as placas e aí decide que caminho seguir.

Here comes the Sun

(dedicated to my English family)

It is kind of a dream.
Suddenly I wake up and I am really here, but it does not feel like a dream.
The house smells the same.
The pink bedroom is there, but now I live in the guest room.
The friendly dog was replaced by the spoiled cat, but never in my heart.
The toast smell goes up the stairs and I come down to have them with butter.
Streets get confusing when all you want is crossing the road. Entering cars on the other side can also be excused.
Is Beatles being played somewhere?
"Nothing you can say but you can learn how to play the game. It's easy"
All I need is London.
The passion is back. Flowers are as colourful as before. People are as friendly as ever.
And time has finally came to change me. That was all I needed.
I can definetly see the changes on my picture at the same old mirror with the golden frame.
Now I like the tea and all the sweet seasonings in their food.
I go to the theatre. I do pay my own bills.
I am 29 but the 18 years old girl is still here, in everywhere I look.
Coming to the front door to pick up the letters with news from back home.
Shopping downtown and thinking what presents will suit best her beloved ones.
Time has passed. I think I did my best.
The adult one walks around by herself meeting friends from a time that will never come back.
Eating biscuits with ice cream and thinking about how silly and childish she was.
And how brave. How reckless and fearless.
Those things I will take home, she gave them back to me.
And a heart that breaths deeply and cannot wait for the whole life that is still to come.
London is as fashionable as before. And I am not, I am more.
I can feel it from far away.
I feel nothing will be the same again.

"Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
and I say it's all right

Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
and I say it's all right

(...)

Little darling, I feel that ice is slowly melting
Little darling, it seems like years since it's been clear
Here comes the sun, here comes the sun,
and I say it's all right
It's all right."

só mais uma de amor

Eles se conheceram no fim da adolescência. Aquela fase feia, crescendo desproporcionalmente. Milhões de coisas na cabeça sem fazer sentido algum.
Aquele nariz que não era pra ser assim, o cabelo que você ainda não sabe arrumar, o estilo de roupa que você ainda não encontrou. Ela se olha no espelho e nunca gosta do que vê. Faz um drama. Ele ainda usa aparelho nos dentes. Será que vai demorar muito?
Ela não lê mais a Capricho. Pensa em morar no exterior.
Ele não sabe qual droga experimentar agora. Se presta Medicina ou Biologia. Se ouve Rock ou Reggae.
Ela ainda escreve na agenda sobre o mesmo amor platônico de anos. E ele não a quer. Mas ela insiste. Também, existe passatempo melhor quando se é adolescente?
Ele sofre pela primeira ex-namorada. Existe drama melhor?
Os caminhos poderiam ter sido diferentes se não fosse pela amiga que insistiu em apresentá-los. Essa coisa de cupido também existe na vida real. Não que essa seja uma história real. Ora bolas!
E eles se apaixonam. Borboletas no estômago. Sinos tocando. Eu e você escritos no espelho embaçado depois do banho.
Numa quinta-feira a noite quando a amiga a chama para ir embora da festa ele pergunta: o que você gostaria de fazer antes de ir embora?
Ela pede o beijo. O primeiro e mais especial em meio a tantos outros deles.
No outro dia já se telefonaram. Ele não se importava mais com o aparelho, mas continuava tentando decidir sobre a próxima droga. Ela gostava do que via no espelho porque ele gostava do que via nela.
Era aquele o primeiro amor.
Foram seis meses daquela coisa linda que todos conhecemos. A primeira vez de tudo.
A primeira noite juntos, o primeiro "eu te amo". Tudo arrepia. Tudo é tão intenso.
A trilha sonora nunca seria esquecida. Alice in Chains, eu imagino.
No final dos seis meses ela muda de cidade deixando para traz um coração partido e uma cara inchada. Promete ser dele pra sempre com medo de não poder ser.
Ele não dorme a noite, sabe que a vida dela mudará na faculdade. Tantas pessoas para conhecer, tão mais interessantes que ele.
Aí vem o primeiro telefonema.Um telegrama. A primeira carta. O primeiro email. O presente de aniversario enviado pelo amigo. Ela abre: uma flor!
A fita de músicas do Chico Buarque. A poesia de Vinicius e Oswald.
Tudo aquilo era lindo e doía. A distância era longa mas os dois não abriam mão de estarem presentes.
Doía mas era um sofrimento válido.
Um sofrimento bonito. Um eu te amo pra sempre.
Que acendia a cada encontro, a cada sorriso, a cada : Oi, está tudo bem por aí? Estou com saudades.
A história é longa. Eles nunca acreditaram de verdade que daria tão certo. Que realizariam tantos sonhos juntos. Que seriam parte da vida um do outro para sempre.
Eles preferiam acreditar que depois de muito tempo separados se encontrariam durante as férias numa praça em Madrid.
Ela com um livro no colo olhando a fonte e ele tirando fotos da mesma.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Carrie inspira

Vendo Sex and the City hoje, voltei a acreditar que estou na flor da idade e que vai dar tempo de fazer tudo que eu quero.
A Carrie se casou aos 40 e com 50 a Samantha decidiu que queria ser solteira.
A Charlote engravidou aos 40 e a Miranda aprendeu a perdoar.
Eu ainda quero ser redatora numa agência de publicidade, dar aula numa escola bilingue, aprender a falar espanhol, ser estilista, cantar numa banda de rock, escrever uma coluna na TPM, ser hostess numa balada alternativa, assessora de alguém famoso,cuidar de uma velhinha na Inglaterra, escrever um livro, ser dona de um bar, de um brechó e se possível, no meio disso tudo, ser esposa e mãe.
Imagine:
-Esta é Leticia, minha esposa.
Ou ainda mais interessante:
-Esta é a Leticia e nossos filhos Samuel and Carol.

(adicionem socióloga a minha "to be" list)

Eu sei o que você fez na terça passada

Entrei na net para comprar os ingressos pra ver Hamlet e já estavam esgotados.
Putz , pensei.
Aí vi uma nota dizendo que todos as manhãs antes da apresentação o teatro disponibilizava mais 30 ingressos. Rá! não tive dúvidas, acordei cedinho e corri pra lá.
A fila já estava grande. Desanimei.Bando de turista desocupado. Só estão aqui por causa do Jude Law, nem nunca leram Hamlet.
É claro que eu estava ali por ele também, mas ver Hamlet em Londres é certamente algo imperdível. E vai que eu demoro mais onze anos pra voltar...
Fui andando pela fila e contando as pessoas. Eram 30. Eu seria a trigésima primeira. Ufa, pensei.
Sentei na almofadinha que havia levado, abri a Dona Dalloway e ali fiquei por mais de duas horas até que a fila começou a andar. Estava certa de que não conseguiria. Sabe aquele lance de não elogiar se não estraga?
Não elogiei.
Enquanto lia o livro emprestado, imaginava a personagem criada por Virginia Wolf caminhando em dias de verão ali pela Oxford Street. Tão perto de onde eu estava sentada.
Consegui o penúltimo ingresso e na mesma noite estava em pé no ultimo balcão daquele teatro fofo vendo Jude Law interpretar Shakespeare.
Tudo bem que ele não saiu e me levou para tomar um vinho. Mas aquela interpretação daquele texto foda eu nunca vou esquecer.
Eu já li Hamlet.
ié!

My Bob Mcgee


Se eu respiro um pouco mais fundo, vem logo um arrepio e lembro.
E se me concentro, você pode até aparecer do meu lado. E eu não abro os olhos nem fecho para não te deixar ir.
É estúpido pensar que foi tão pouco, e tão bom e eu simplesmente não consigo me desapegar. Só não sei ao certo se me apeguei a você ou aos momentos. Momentos sem bis.
Seu sotaque paulistano. Seus cílios que dão volta.
O escapulário gigante porque você precisa de muita proteção.
Sua sobrancelha eterna. Essa tua barba.
Teu cabelo de massinha(da onde eu tirei isso?).Sua mão menor que a minha. Essa sua tatuagem sem terminar.
I enjoyed.
Minhas insonias com você do lado. A noite doce que passamos juntos. A Augusta. Você cantando no banho.
E qual é a melhor música do mundo? E eu cantando no carro.
Você jogando xadrez. Eu admirada que o cara era a cópia do meu irmão.
- Você podia ficar comigo um tempão, né Lê?
- Eu não pretendo ir a lugar algum...
- Eu não disse agora, disse um tempão mesmo...
- Não pretendo ir a lugar algum.
Você foi voraz. Cafajeste mesmo. Safado. Ordinário. Lindo. Veio e sumiu mas fica ali.
Corinthiano maluco. Bem maluco. Ariano.
De chegar e beijar. De não sentir a boca mais. De acordar com vontade. Ou de nem dormir. Nem comer. Nem ver o sábado inteiro passar.
E eu ariana torta, vivo de amor profundo.
O seu bar. A sua balada. Os seus dois únicos e melhores amigos. E o terceiro. E o pequeno.
A minha cama, o meu macaco de pelúcia. A menina que mora comigo. O note. Youtube.
Nossos celulares tocando.
O tour pela Aclimação, Santana, a escola, a ex-casa, a Pinacoteca, o posto e a nota fiscal paulista.
- CPF na nota?
- Ahn?
- CPF na nota?
- Lê, me ajuuuda!!
- Tá , mas só se você me contar onde a gente está.
Depois de você as sextas-feiras terão um cheiro diferente.
Mundo livre S/A. Foo Fighters e Carpenters. E me deu um quê de Amy.
E eu nunca nem te falei que me apaixonei por você. Porque não deu tempo!
Mas estou bem, estou contente e estou feliz.
Mesmo dirigindo na chuva, molhada e com vontade de fazer xixi. Mesmo se a coca do Mac não está boa ou se não tem lugar para parar na Benedito Calixto. Mesmo cedendo o meu lado da cama pra você. Mesmo sabendo que vai ser de vez em quando até virar nunca mais.
O boné virado pra trás, seu moleton cinza. Sua calça jeans larga e seu tênis azul. O bife a parmegiana nem estava tão bom.
E é estranho fumar Parliament, ter quase morrido sete vezes, não ter carta de motorista e demorar 8 anos pra se formar. O sexo nem era tão bom assim.
Rebel, rebel. Cópia piorada de mim. Vaso ruim.
Mas você ficou marcado. Nesse corpo branco que marca nenhuma tem. Com esse cabelo preto que pouco importava se arrumado ou bagunçado. Debaixo do edredon verde, no meu apê sem sofá.
A samba-canção de listinha. A blusa verde de calcinha preta.
E eu te pego um copo d'água, e você olha dentro do meu olho.
Qual era mesmo o toque do seu celular?
O sexo era bom sim. Só estava brincando. Às vezes eu faço coisas que nem eu mesma sei porquê.
Enfim,
It was just a watermelow.
And if you feel like, please do touch me.
aos beijos.